Descobrir como meditar está entre os primeiros desafios de quem se lança a essa atividade.
Afinal, é uma atividade milenar que foi se transformando ao longo do tempo e se adaptando aos diferentes lugares e pessoas que a praticam.
Atualmente, existem diversos tipos de meditação, que variam de acordo com a técnica ou objetivo adotado pelo praticante.
Ou seja, para entender como fazer meditação e curtir esse processo, é preciso conhecer suas preferências, se abrir para novas experiências e entender o que você pretende.
A seguir, vamos te mostrar várias dicas e informações importantes sobre o assunto, incluindo o que é meditação, como fazer para meditar e se é possível meditar em casa.
Além disso, você vai conhecer um pouco mais sobre a Meditação Vipassana através do relato da Manu, idealizadora do Local Planet.
Vamos nessa?
O que é Meditação?
Existem diversas maneiras de definir o que é meditação, já que o seu conceito está atrelado ao tipo ou origem da prática.
Por exemplo, o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos afirma que a meditação é a integração do corpo com a mente, utilizada para proporcionar sensações de calma e bem-estar.
De maneira geral, a maioria das técnicas está de acordo nesse sentido e, também, nos benefícios que a prática gera, como a redução do estresse, da ansiedade e com um olhar para autoconhecimento.
O que se Deve Pensar na Meditação?
Depende.
Isso porque cada tipo de meditação orienta uma prática específica, o que pode envolver pensar em algo ou esvaziar os pensamentos.
Por exemplo, em alguns tipos de meditação guiada, há uma ou mais pessoas auxiliando na formação de imagens mentais, como lugares, situações, cheiros e texturas.
A meditação com mantras, por outro lado, repete palavras ou frases para manter o foco.
Já a meditação mindfulness recomenda que os pensamentos sejam esvaziados e o foco esteja nas sensações do momento presente.
Sendo assim, tudo vai depender da meditação que você está praticando e do objetivo que deseja atingir com a prática.
Como Desligar a Mente para Meditar?
Não há uma fórmula única de como desligar a mente para meditar.
Aliás, esse pode ser um grande desafio, especialmente para quem está iniciando na prática.
Afinal, estamos sempre tão cercados por estímulos, pensamentos, preocupações, prazos e outros estressores, que silenciar os pensamentos parece uma missão impossível.
Porém, existem técnicas específicas de cada tipo de meditação que podem ajudar, por exemplo:
- Repetir um mantra
- Focar na própria respiração
- Criar imagens mentais
Por último, o mais importante é evitar autocríticas e entender que desligar a mente para meditar é um processo e ele pode ser aprendido.
Ou seja, com prática, dedicação e constância, esse movimento vai ficando cada vez mais fácil.
Como Meditar: Dicas para Quem Está Começando

A primeira dica de como meditar para quem está começando, é se informar sobre os diferentes tipos de meditação que existem.
Assim, vai ficar mais fácil escolher aquele com o qual você se identifica ou, então, tentar várias técnicas até encontrar a que te deixa mais confortável.
Além disso, você pode buscar guias ou cursos, como é o caso do curso de meditação Vipassana sobre o qual falaremos melhor a seguir.
Como Fazer Meditação Sozinho?
Apesar dos cursos e guias serem bem importantes para quem está começando, fazer meditação sozinho também é totalmente possível.
Veja algumas dicas:
1. Defina um Objetivo
Escolher um objetivo para a meditação pode ajudar a evitar divagações, pensamentos aleatórios ou preocupações durante a sessão.
Ou seja, é possível retornar ao objetivo sempre que a mente tentar fugir para pensamentos padrões.
Assim, essa é uma dica essencial para quando se está sozinho, sem um guia ou uma pessoa que ajude a retornar à concentração e ao foco.
2. Experimente Diferentes Técnicas
Como falamos anteriormente, experimentar diferentes técnicas vai ajudar a definir qual é a mais adequada ou confortável para você.
Por exemplo, algumas pessoas preferem o silêncio total, enquanto outras se adaptam melhor ao uso de mantras.
Sendo assim, cada uma vai preferir um ou outro tipo de meditação e, por isso, a importância de experimentar.
Aliás, meditar não deve ser um sofrimento e apostar na técnica errada pode minar a sua vontade de continuar praticando.
3. Evite Autocríticas
Meditar é uma atividade que vai na contramão do estilo de vida que vivemos atualmente – agitado, frenético, carregado de informações.
Assim, propor reflexão, silêncio, introspecção e autoconhecimento pode ser inicialmente desconfortável para algumas pessoas.
Portanto, é comum que surjam autocríticas, com julgamentos dos próprios pensamentos e desconforto com as sensações que surgem.
Nesse sentido, é importante adotar uma postura de paciência consigo mesmo, aceitando as divagações da mente e aproveitando o momento para se conhecer melhor.
4. Mantenha a Constância
Diante de uma experiência nova e desafiadora, ou apenas pela correria dos afazeres do dia a dia, é comum que surja a vontade de desistir da meditação.
Porém, os maiores benefícios dessa prática aparecem a partir da sua prática e constância.
Sendo assim, comece reservando alguns minutos para meditar todos os dias e vá aumentando esse tempo gradualmente, conforme a sua disponibilidade.
Além disso, faça registros das mudanças percebidas em si mesmo para se manter motivado e constante.
Como Fazer Meditação em Casa?
Para meditar em casa, você vai precisar de um ambiente propício para essa prática.
Então, em primeiro lugar, vá para um cômodo silencioso, de preferência onde não ocorram interrupções.
Além disso, escolha uma posição e roupas confortáveis – acredite, vai ser muito mais difícil desligar os pensamentos de uma calça apertada ou um sapato desconfortável, por exemplo.
Por fim, escolha um horário adequado para você, quando não houver outras atividades urgentes para resolver.
Como Meditar: Os 10 Primeiros Dias de Meditação que Mudaram a Minha Vida – Meditação Vipassana

Entrada do centro de meditação Dhama Santi, em Miguel Pereira – RJ (imagem: Local Planet)
Uma forma de aprender como meditar e entender a prática, é participar de um curso de meditação Vipassana, que acontece em diversas cidades do mundo.
Cada curso é uma experiência de imersão durante 10 dias, com muita introspecção por meio de meditação e também porque se faz voto de silêncio – e isso por si só já foi uma experiência única de passar tanto tempo comigo mesma!
Outro ponto que me chamou bastante a atenção é que os cursos são gratuitos.
Então, não ter essa barreira financeira, abre as portas para que qualquer pessoa interessada participe.
Achei a ideia muito interessante logo de cara, mas levou um certo tempo entre ouvir a respeito e de fato ir fazer o curso…
Senta que lá vem história!
O Início
O Gabriel, meu companheiro, já praticava Vipassana há anos. Eu respeitava e via que fazia muito bem a ele, mas achava que não era para mim!
Eu pensava que meditar era conseguir ficar sentada, imóvel, com a mente muito tranquila. E francamente…eu pensava que não conseguia fazer nada disso. Ficar em silêncio então, será que eu conseguiria?
Então ele me deu de presente o livro A Arte de Viver, que fala sobre o curso. Comecei a ler enquanto ele tinha ido para mais um curso. Aí fui percebendo que meditar é para qualquer pessoa (mesmo para as mais agitadas) e também que essa técnica de meditação é muito prática e lógica.
Fiquei fascinada! Logo que terminei a leitura, me inscrevi pela internet em um curso de 10 dias e me preparei para a viagem.
Aí parti! Ainda sem saber…que seria uma das experiências mais incríveis da minha vida <3
O que é Meditação Vipassana?

Nova construção no centro Dhamma Santi, inaugurada em 2018, onde ficam cozinha e refeitórios (imagem: Local Planet)
Vipassana é uma técnica de meditação antiga, redescoberta há 2.500 anos na Índia por Siddhartha Gautama, o Buda. A técnica foi preservada em monastérios, até que foi popularizada e começou a ser ensinada no mundo por S. N. Goenka em 1969.
Desde então, cerca de 2 milhões de pessoas já participaram de um curso, atualmente realizados em mais de 180 centros espalhados pelo mundo.
Vipassana, no idioma Pali, significa “ver as coisas como são”. Isso por meio da observação da conexão entre a mente e o corpo, que pode ser experimentada pela atenção às sensações físicas.
As leis da natureza que acionam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações vão se tornando cada vez mais claras. E essa jornada de autoconhecimento baseada na observação, pouco a pouco vai dissolvendo as nossas impurezas mentais.
(Fontes: Dhamma.org e Clarin)
Como é o Curso de Meditação Vipassana?

Boas vindas em um dos cursos do centro em Santana de Parnaíba – SP (imagem: Dhamma Sarana)
Imagine um local cercado por muita natureza, com cerca de 50 pessoas de cada gênero convivendo em silêncio.
Toda estrutura concedida por meio de doações e um grupo de servidores trabalhando voluntariamente.
Isso tudo envolvido em um só propósito: o auto-conhecimento.
Assim foi mais um dos cursos de 10 dias de meditação Vipassana.
O meu primeiro foi em São Paulo. Voei de Foz do Iguaçu até Guarulhos e de lá peguei uma carona, organizada por meio do sistema do curso, para chegar tranquilamente ao centro de meditação.
Chegando lá, fiquei impressionada com a beleza do local e a serenidade das pessoas que nos recebiam! Entreguei alguns pertences, como carteira e celular, para que guardassem para mim e me indicaram meu alojamento.
Fui conhecendo alguns colegas e entre os novos meditadores tinha um misto de curiosidade, preocupação e euforia. A gente tentava prever como seriam os próximos dias e fazíamos perguntas para os alunos antigos, que estavam lá para fazer o curso de novo.
O sino bateu! Tivemos uma reunião para explicarem sobre o funcionamento do curso, jantamos e fomos para a sala de meditação, já para a primeira palestra e meditação do curso (e uma das primeiras da minha vida!).
Começava também o voto de silêncio. “Aí vamos nós!”, eu pensei.
Entrei na sala com alguns apetrechos que levei para meditar e algumas almofadas que tinham para emprestar lá. A professora assistente já estava em seu lugar, meditando com um ar tranquilo e solene ao mesmo tempo.
Rotina do Curso Vipassana
Os primeiros dias de prática do curso são focados na técnica de meditação Anapana.
Então, concentrando a atenção na respiração, os objetivos são desenvolver essa consciência, concentração e sensibilidade.
No dia seguinte a rotina diária começava: acordar às 4h e pouco da manhã e iniciar as sessões de meditação, que acontecem ao longo de todo dia e com durações variadas de 1 a 2 horas cada.
Durante todos os dias há instruções de como aplicar a técnica, que são dadas por meio de gravações em áudio do professor S.N.Goenka.
As instruções são muito didáticas, sendo explicadas de formas repetidas e de diferentes formas, para reforçar os ensinamentos.
Outras Informações
O ritmo do curso é intenso, mas também progressivo. Eu tentava focar em um desafio de cada vez e apenas seguir exatamente o que me pediam. E assim fui me surpreendendo com a técnica e também comigo mesma!
A cada dia a meditação e introspecção vão gerando mais sensibilidade e fui conhecendo o meu corpo e minha mente de uma forma que jamais poderia imaginar.

Sala de meditação no centro em Miguel Pereira – RJ (imagem: Local Planet)
Vinha um determinado pensamento negativo e imediatamente percebia o reflexo disso no meu corpo: pressão no peito, calafrios, acidez no estômago. Pensamentos positivos geravam sensação de leveza ou calor no peito.
Eu sentia cada uma dessas pequenas sensações unidas à prática de não reagir, causando uma mudança tremenda dentro de mim mesma!
Além disso, aprender a prestar atenção nas sensações do corpo trazia minha mente para o momento, para o agora.
O foco do curso é totalmente no aprendizado prático, e apenas durante 1h e pouca por noite têm palestras feitas pelo Goenka em áudio.
Assim, ele passa algumas partes sobre a teoria, histórias e comentários muito reconfortantes, do tipo: esse trabalho realmente é intenso e está sendo desafiador para todos aqui, você não está sozinho!
Sobre a alimentação, as meditações são sempre intercaladas por refeições vegetarianas simples e deliciosas. A noite não tem jantar, apenas um lanche com frutas de tarde. Para intolerantes ou com outras questões de saúde, só informar as necessidades especiais durante a inscrição e eles providenciam tudo.
Esse carinho e cuidado de todos envolvidos na organização e realização do curso também são muito comoventes. Gera uma verdadeira corrente do bem (:
O que Aprendi no Curso de Meditação

Durante o curso fui vendo que o voto de silêncio é mais fácil e gostoso do que eu esperava (imagem: Local Planet)
Participar do curso foi uma oportunidade única de passar 10 dias comigo mesma, olhando apenas para dentro.
Então, apesar da minha boca estar em silêncio, pude perceber que minha mente não. Como dominá-la (ao invés dela a mim)?
Sem perceber, eu dava nós e mais nós na minha vida. E achando que estava tudo bem!
Um dos conceitos chave da técnica Vipassana é “Anicca”, que significa “lei da impermanência”, traduzido do idioma Pali.
Tudo está sempre mudando. Aceite, observe objetivamente e não multiplique. Isso aprendemos a praticar durante o curso.
Foi também uma oportunidade de viver como uma monja. Porque além da meditação intensa, tudo que recebi durante o curso foi por meio de doações.
Então, recebia e apenas agradecia de coração. Sem exigências ou críticas, como costumava fazer antes.

Almoço no refeitório feminino, no centro de meditação em Miguel Pereira – RJ (imagem: Local Planet)
Assim, no último dia do curso, quando o voto de silêncio é finalizado, pude conhecer meus colegas meditadores, que eram dos perfis mais variados: universitários, professores de yoga, psicólogos, senhores aposentados e até uma gestante.
Das mais variadas profissões e também religiões. Em caminhos de busca tão distintos…e ao mesmo tempo tão similares!
Foi muito legal poder trocar experiências, ideias, conhecer as motivações e desafios de cada um.
Antes de vir, sentia medos e inseguranças que a maioria dos marinheiros e marinheiras de 1ª viagem devem sentir:
“Mas eu nunca meditei, será que vou conseguir?”
“E fazer voto de silêncio por 10 dias, será que é pra mim?”
“Aaah, mas eu tenho problemas na coluna, joelhos, quadril. Não vou conseguir!”
Enfim, nossa mente arruma desculpas, querendo enganar a si mesma para não vir.
Mas, depois de fazer a inscrição, me organizar e chegar no centro de meditação eu percebi: “o mais difícil ficou para trás. Se eu cheguei até aqui, eu vou conseguir!”
Durante os 10 dias de meditação as coisas parecem tão claras. Eu pude enxergar a felicidade e o sofrimento que crio para mim mesma, aqui e agora.
Mais importante ainda: conheci uma prática (e poderosa) ferramenta para lidar com tudo isso.
Ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas já pude perceber que sim, a liberdade é possível!
E é linda ♡

A gente e novos amigos meditadores, no último dia de um curso no centro Dhamma Sarana, em Santana da Parnaíba – SP (imagem: Local Planet)
Liguei para minha mãe assim que terminei um dos cursos:
“Bem vinda ao mundo real”, disse ela.
“Na verdade, eu sinto que tava no mundo real. E agora voltando para o mundo da ilusão”, eu respondi.
Pois é, voltando sim. Mas com mais leveza, mais paz, mais harmonia. Espero também que muito mais atenta, para manter essas qualidades pelo maior tempo possível.
Ou pelo menos até o próximo curso!
Para Conhecer mais sobre Meditação Vipassana

O livro A Arte de Viver, do autor William Hart, foi uma ótima introdução ao tema para mim. Trata sobre a técnica e transcreve as palestras gravadas em áudio do professor S.N.Goenka, que são transmitidas durante os cursos de 10 dias. O livro está disponível em:
Essa leitura foi um dos meus primeiros contatos com meditação Vipassana. Foi muito bom para ver se eu tinha afinidade com a técnica. Também me ajudou demais durante meu primeiro curso, porque já tinha lido e refletido a respeito de muitas coisas tratadas ali, então tive mais facilidade em mergulhar no processo.
Então, quer saber como funciona a inscrição em um curso? Veja nosso conteúdo sobre como se inscrever em um retiro de meditação Vipassana.
Seja feliz!